Teatro Previminas

Institucionais

DE VOLTA AO CENTRO

A expectativa, atualmente, é que nossas cidades continuarão crescendo. O crescimento urbano está espalhando as cidades para cada vez mais longe, gerando novos urbanos ou cidades satélite. Desse modo, regiões polinucleadas emergem, onde o centro tradicional pode de novo desempenhar um papel aglutinador fundamental.

Nos próximos anos, a política urbana terá que encorajar mais desenvolvimento, especialmente na área central das cidades. Isso significa que nossas cidades terão que se tornar mais modernas, organizadas, transformadas. Como resultado, teremos que operar no centro de um modo muito mais ativo do que até agora.

Essa tendência parece ser mundial: Times Square (NY), Leiscester Square e Soho (Londres), Potzdamer Platz (Berlim) e o Chiado (Lisboa) são alguns casos exemplares do sucesso de revitalização (com ação conjunta do poder público e iniciativa privada) de áreas centrais degradadas.

No Brasil, Salvador e Curitiba estão um passo à frente. O Pelourinho restaurado passou a ser novamente o centro vivo de Salvador e as reformulações de Curitiba são internacionalmente reconhecidas. Rio de Janeiro e São Paulo, estão também redescobrindo as qualidades de suas áreas centrais. 

EIXO CULTURAL RUA DA BAHIA

Em Belo Horizonte, o projeto Eixo Cultural Rua da Bahia Viva, sancionado recentemente pelo prefeito Célio de Castro, promete incrementar as atividades culturais e comerciais no coração central da cidade.

A Rua da Bahia, antigo cartão postal de BH, já foi cantada em prosa e verso ao longo do século. Cenário privilegiado do carnaval e de manifestações cívicas, a rua mais famosa da cidade foi criada para ligar a Estação Ferroviária à Praça da Liberdade, indo do centro à Zona Sul.

Na década de 40, o extinto “bar do ponto” era local garantido de encontro de Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava e Guignard. Até o final dos anos 60, era nos seus bares e cafés que se encontravam intelectuais, escritores e jornalistas como Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Peregrino. Local de confraternização de estudantes, era na rua da Bahia que aconteciam os flertes e namoros, e também as conspirações políticas.

A proposta Eixo Cultural da Rua da Bahia Viva é integrar comércio, turismo e cultura para beneficiar a todos, oxigenando uma região desgastada ao longo dos tempos. A ideia é resgatar a tradição da rua atraindo novos empreendimentos através de incentivos fiscais.

São atualmente cerca de 30 espaços culturais que vão ganhar vida nova. A rua ganhará nova iluminação, um trabalho de despoluição visual e contará com a adesão do comércio, que ficará aberto 24 horas por dia. Para a implantação do projeto, foi criada um Conselho Consultivo para analisar e propor projetos para a revitalização da rua da Bahia. Assim, a famosa rua poderá voltar a ser a cara de BH.

EDIFÍCIO PREVIMINAS

Nesse contexto, o pequeno quarteirão de geometria triangular onde está a sede da Previminas é formado pelo encontro da rua da Bahia com as avenidas Álvares Cabral e Augusto de Lima e contém apenas quatro edifícios: Previminas/Bemge, Polícia Federal, Correios e Centro Cultural Belo Horizonte.

Na esquina da rua da Bahia com Augusto de Lima está o Centro de Cultura Belo Horizonte, única edificação em estilo neogótico manuelino de BH, símbolo do projeto Eixo Cultural Rua da Bahia Viva. Construído entre 1910 e 1914, abrigou o Conselho Deliberativo, Biblioteca Pública, Câmara Municipal, Rádio Mineira e mais recentemente o museu de Mineralogia.

Na esquina da Bahia com Álvares Cabral está um prédio em estilo Art Decò, de meados da década de 40, onde funciona hoje a Polícia Federal. Uma pena, aliás. Entre esses dois prédios está uma agência dos correios, instalada em uma construção eclética típica dos anos 20, recentemente restaurada.

Na esquina da Álvares Cabral com Augusto de Lima, o edifício Previminas é um típico exemplar da arquitetura moderna dos anos 70, com uso abundande da pele de vidro. Sua implantação recuada da esquina oferece um espaço vazio em uma região densamente ocupada, criando uma praça junto à entrada principal do banco Bemge, que ocupa toda a imensa loja térrea do edifício Previminas. Pela Álvares Cabral, duas portarias controlam o acesso pela sobreloja. Previminas, Prefeitura e Governo do Estado dividem a ocupação vertical da estrutura modulada em vãos de 8 metros que permite o uso de pavimentos retangulares corridos de planta livre.

Resumindo, essa ilha triangular contém programas basicamente institucionais, no níveis municipal, estadual e federal. A negociacão de certos territórios para o uso comum fica facilitada, pelo menos na teoria.



Projeto Teatro Previminas

Localização Belo Horizonte, MG

Ano 1999

Autores Bruno Campos, Marcelo Fontes, A. Beatriz Campos e Santuza Andrade

Status Projeto